A ciencia de treinar bem VS Realidade da Rua

Ir num passeio a pé, estar a conduzir num carro, estar numa esplanada a beber um café, num bar a tomar uma bebida, levantar dinheiro no Multibanco, passar  à noite numa zona mal iluminada , estar numa discoteca, etc. A qualquer momento estamos sujeitos e vulneráveis a depararmo-nos perante uma situação hostil. Assim começam os confrontos, a realidade incontestável, eles estão ‘ao virar de qualquer esquina’ sem preanuncio.

 

Quero com isto dizer que grande parte dos confrontos reais surgem em forma de emboscada. Quando alguém nos ataca utilizando o factor surpresa, apanhando-nos assim desprevenidos. Esta  é a realidade da rua e se não treinarmos tendo em consciência tudo isto, não estaremos preparados para a enfrentar.

 

A primeira coisa que temos de compreender é o efeito psicológico  que tem um ataque surpresa. Estamos absorvidos nos nossos pensamentos quando, de repente, damos por nós num conflito. A primeira resposta costuma ser de incredulidade. Está realmente a acontecer? O que se passa aqui? Enquanto o pensamento tenta constatar da situação com que se depara, o agressor pode tirar proveito da situação de onde podem advir danos desde ligeiros até graves, podendo inclusive tirar-nos a vida.

 

É extremamente importante estarmos conscientes do que nos acontece à nossa volta. Saber desenvolver a visão periférica, reflexos, estudar o ambiente em redor, avaliar comportamentos e ter a capacidade de nos adaptarmos ás situações são de extrema importância no que diz respeito à ‘Ciência de Treinar bem’.

 

Sem crer puxar a brasa para a minha sardinha, gostaria de falar de algo que muitos alunos na Elite Defesa Pessoal consideram o ‘Aquecimento para o treino’.

 

Lamento despontá-los mas a minha perspectiva vai contra esse ângulo  de ver as coisas. Julgo que todos deveriam ter mais objectividade ou seja, o treino é um todo desde o momento em que se entra no ‘Dojo’. Considero o referido ‘aquecimento’ uma das partes mais importantes do treino, talvez até a mais importante.

 

É precisamente nesse ‘aquecimento’ que temos a oportunidade de trabalhar e desenvolver todas as qualidades e capacidades acima mencionadas. O trabalho inicial em cada treino distingue-se não por ser mais estimulante do que qualquer outro método tradicional, visto serem duas equipas a tentarem pontuar, mas sim  para contrariar o factor surpresa e psicológico que em grande parte das vezes põe por terra qualquer pessoa bem treinada seja a nível físico ou técnico, que se encontra latente em qualquer mente não trabalhada.

 

Não podemos simplesmente trabalhar e desenvolver um leque de técnicas individuais ou combinadas até à sua interiorização. Temos sim de desenvolver o estado de vigília constante, visto que o ser humano infelizmente não veio munido de um sensor capaz de avaliar uma situação, quando esta,  representa uma ameaça real à sua integridade.