Quando as arvores não deixam ver o bosque

 Todos nós sabemos que o simples facto de lidar com pessoas, é bastante delicado, tendo em conta que todos nós somos diferentes nos mais inúmeros aspectos. Mais difícil se torna quando existem objectivos diferentes entre aluno e Professor.

 

O objectivo supremo da Defesa Pessoal, não é frequentemente visível à vista de quem não se aprofundou verdadeiramente neste caminho. Entretanto, o impulso da sua busca é comum em todos os seres, por isso os verdadeiros Professores o detectam indefectivelmente, atrás do olhar ansioso e faminto de conhecimentos dos seus novos alunos.

 

O seu verdadeiro trabalho, não consiste somente, em ensinar uma técnica e não deixar que ela crie desvios, perdendo-se nos mil e um becos que este caminho oferece, mas sim em todos os aspectos envolventes na formação de um Homem.

 

Nem é preciso dizer que Professores como estes à bem poucos. A maioria, simplesmente trata de deixar a sua marca, transmitir a sua versão, de elevar o seu ego e o seu ’modo’ até ao topo Universal, perpetuando os seus erros e acertos, para assim satisfazer os seus defeitos e faltas, que serão muitos, pois só o próprio sentido de Unidade com tudo, (consciente, fluída e natural) pode preencher infinitamente tudo e todos.

 

Quando a Defesa Pessoal é interpretada como via de conhecimento, torna-se num caminho interminável ,mais do que um caminho de acumulação. A primeira coisa que deve deixar de lado é a arrogância. Isto acontece quando se compreende, o quanto pequenos nós somos interiormente.

 

No entanto quando esta se cura, o Cinto Negro que se encontra em volta da nossa cintura, é simbólico, podemos dizer que é preciso  voltar a iniciar o processo, ‘esquecendo’ a técnica para encontrar a naturalidade.

 

Outra selecção muito menos visível acontece dai em diante, em que só alguns Cintos Negros conseguem e estão capacitados para passar à seguinte etapa, tentando encontrar o movimento natural, esquecendo, desprendendo-se daquilo que tão que tão dificilmente foi conquistado e adquirido inicialmente (Processo que vai de neófito a docente 1ºGrau). No processo, o Cinto Negro ‘desgastado’ volta a ser simbolicamente  ‘Cinto Branco’ de novo.

 

Ou seja tudo isto visto e avaliado numa pirâmide selectiva desde o neófito, que a principio fica deslumbrado pelas técnicas e seus resultados, até Atingir o Cinto Negro, são várias as etapas e patamares de instrução, avaliação e desempenho que o Professor terá de ter. Para além de tudo isso terá de reavaliar tudo, e recomeçar o novo processo de instrução e formação de Cintos Negros.

 

É este o caminho a seguir? Os números dizem que não!!!. Vivemos enjaulados, o homem, pois, em grande numero de casos é o causador dos seus próprios infortúnios, mas, em vez de reconhece-lo, acha mais simples, menos humilhante para a sua vaidade, acusar a sorte, a providência , a má fortuna, a má estrela, ao passo que tudo isso é apenas a sua incúria, em que por vezes até se torna capaz de dizer que, as árvores não deixam ver o bosque!